Fernando Sodré
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Crítica Viola de Ponta Cabeça, por Jocê Rodrigues

“O que não é de forma alguma apreendido é o futuro;

a exterioridade do futuro é totalmente distinta

da exterioridade espacial justamente pelo fato

de que o futuro é uma surpresa absoluta”.

Emanuel Levinas

Viola de Ponta Cabeça é o novo trabalho do compositor e instrumentista mineiro Fernando Sodré e nele uma ponte é feita, ligando tradição e contemporaneidade da mesma forma que fez Yusef Lateef quando desencadeou uma série de respostas significativas ao introduzir no jazz instrumentos não tão convencionais ao estilo como fagote e oboé. O instrumento em questão é a viola, signo da tradição do cancioneiro que agora desempenha o papel de elemento que tenciona discursos homogênios (popular x erudito, canção x instrumental etc.) a ponto de causar não rupturas, mas associações ousadas e válidas.

Ao improvisar, a viola abre todo um campo sonoro distinto do que estamos acostumados a ouvir no ambiente jazzístico, por exemplo. Mas é improvisando sob a batuta da mente criativa e cantábile de Fernando Sodré que ela ganha voz particular e audível, a rasgar o ar e atravessar as cortinas do ouvido, penetrando assim o antro cerebral onde correm os espíritos animais descartianos que nos animam com seu constante correr e essa voz passa a habitar, nota após nota, o corpo – palco e ator de temporalidades.

Nessa voz está o fulgor da ousadia enquanto eterno vir-a-ser, que não anuncia-se com a antecedência de um pretendente arranjado, mas que irrompe com paixão pela escada de seda (La Scala di Seta) de Rossini feito amante tomado por aquilo que os medievais chamavam de doença da alma, até chegar ao quarto onde dorme a conformidade. É o futuro da viola, da viola como ground para estruturas musicais rizomáticas. Seja jazz, baião, flamenco ou moda, Fernando Sodré não só aponta como também trilha o caminho com sua competência e talento. Ao dar liberdade aos músicos que o acompanham no disco (Írio Junior no piano, Enéias Xavier no baixo e Esdra Nenem na bateria), diálogos são criativamente tecidos em composições de Tom Jobim, Garoto, Toninho Horta (que participa tocando violão e guitarra na sua própria composição), João Pernambuco, Edu Lobo e Capinam, além de composições do próprio Sodré e Tão Bosco, composta por Enéias Xavier.

A sorte sorri aos audaciosos, dizia Malraux, e como guardo estas palavras! Viola de Ponta Cabeça ousa – não com a agressividade que particularmente admiro nessas ocasiões, mas com contundência. Vai aos poucos mostrando as unhas, ganhando território afetivo passo a passo. A audácia de Sodré ganha terreno, se faz ouvir e com certeza já assusta e incomoda alguns Wynton Marsalis da nossa música.

Viola de Ponta Cabeça pode ser adquirido no site do compositor, onde você pode acompanhar a agenda de shows e +

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